Álcool x Hipertrofia: quem treina pode consumir bebida alcoólica?

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PhD. Felipe Donatto

Nutricionista e Max Expert

            Beber álcool é um dos passatempos mais antigos da sociedade, por diferentes questões sociais e culturais. Alguns estudos sugerem que o álcool pode ter benefícios a saúde. Por exemplo, o vinho tinto, por conter o resveratrol, quando usado moderadamente, pode diminuir o risco de doenças cardíacas, sendo que o consumo de 30g de etanol não se observa problemas fisiológicos e psicológicos. Entretanto, para alguém engajado na melhora da composição corporal (perder gordura e ganhar músculos) é preciso entender os efeitos do álcool no organismo para considerar seu uso ou não.

            Sabemos que a hipertrofia muscular, ou o ganho de massa muscular, é um processo complexo e crônico e que necessita de alguns pilares básicos: treinamento, dieta, suplementação, recuperação e sono. Se considerarmos os efeitos fisiológicos da ingestão do álcool, sabemos que por não se tratar de um dos macronutrientes, o corpo precisa oxidar o etanol no fígado e seu “final metabólico” é a formação de novos ácidos graxos (lipogênese de novo). ou seja, álcool é transformado em gordura no fígado. Por isso acontece a esteatose hepática alcoólica (acúmulo de gordura no fígado pelo consumo excessivo do álcool). Lembrando que essa mesma patologia também acontece pelo consumo calórico excessivo (esteatose hepática não alcoólica).

            Além disso, um subproduto chamado acetato é formado durante a oxidação do álcool no fígado com capacidade de diminuir a liberação de gordura do tecido adiposo (lipólise) e reduzir a beta-oxidação (queima da gordura) nos músculos esqueléticos, conforme mostra a figura abaixo:

Figura1: Efeitos fisiológicos do álcool no organismo

(Adaptado de Donatto, 2017) (1)

O álcool da bebida alcoólica pode afetar o processo de digestão e absorção de nutrientes, pois causa estresse no estômago e nos intestinos. Isso leva à diminuição das secreções digestivas e movimentação dos alimentos no trato. As secreções digestivas são extremamente importantes para uma digestão saudável, pois transforma os alimentos em nutrientes básicos que são absorvidos e usados ​​pelo corpo.

O álcool também pode afetar negativamente o sono, levando a períodos aumentados de vigília durante os ciclos de sono, diminuindo a qualidade do sono. Já se sabe que a privação de sono, pode levar a um desequilíbrio nos hormônios relacionados à fome, saciedade. Além disso, a bebida alcoólica pode ter uma interferência negativa sobre a produção dos hormônios sexuais, especialmente a testosterona. A testosterona é um hormônio sexual que desempenha um papel em muitos processos metabólicos, incluindo a formação de músculos e capacidade de queima de gordura.

E finalmente o acetato (oriundo da oxidação do etanol) tem influência direta nas vias de sinalização de síntese proteica muscular, diminuindo a taxa de construção muscular, em especial na inibição da fosforilação da cascata anabólica do alvo de rapamicina (Mtor) e aumentar a atividade do sistema ubiquitina proteassoma (catabolismo muscular). Se para construir novas fibras musculares já é difícil fazendo tudo certo, colocando todos esses efeitos do álcool fica ainda mais. (2,3)

Procure sempre um professor de edução física e nutricionista para te auxiliar e direcionar seu processo de melhora corporal. Desejo a todos treinos fortes e uma dieta saudável e uma suplementação adequada!

  

Referências Bibliográficas:

 1- Felipe Donatto. Nutrição, suplementação e fitoterapia esportiva: ciência e prática. Ed All Print, 1ª. ed. 2017.
2- Scot R Kimball, Charles H Lang. Mechanisms Underlying Muscle Protein Imbalance Induced by Alcohol. Annu Rev Nutr. 2018.
3 -Jennifer L. Steiner and Charles H. Lang Dysregulation of skeletal muscle protein metabolism by alcohol. Am J Physiol Endocrinol Metab. 2015.


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